segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Hoje é dia de pomarola
 

Sempre fui louca por tomates. Desde adolescente, se há um alimento que não me enjôa nunca, é o tomate. No mais, passei por muitas outras fases: viciada em beringela, beterraba, abobrinha, vagem, gelatina, melão... sempre uma coisa ou outra, porém, passageira, pois depois de algum tempo comendo repetidas vezes os mesmos alimentos, ficava difícil até olhar para eles. Aliás, confesso que essas "fases" eram, em realidade, uma tendência compulsivo-obecessiva da minha adolescência.

Os anos se passaram, e, apesar de eu ter superado a ferocidade dessas tendências compulsivas, alguns resquícios ainda ficam. Ao invés das complexas "fases" de antigamente, hoje apenas considero que alguns alimentos entram e saem de moda no meu cardápio.

Quem me conhece bem, sabe que eu não sou de massas ou doces, meu negócio é mesmo: carnes, saladas, queijos, embutidos, legumes e frutas cítricas; ou pelo menos era... A gravidez está tendo um impacto tão profundo sobre a minha relação com a comida, que nem eu me reconheço mais. Levei tantos anos para apurar e desenvolver a minha identidade alimentícia, que me gera muita frustração não conseguir comer as coisas que gosto. Sinto fome, mas o meu apetite não é o mesmo.

Não sei até que ponto todas as mulheres grávidas passam por isso, mas, comigo, esses três primeiros meses, foram de muito enjôo. A mudança foi brusca, pois comer se tornou um estorvo para mim. Os cheiros me causam ansia, o gosto das comidas também mudaram completamente ao meu paladar. Para que tenham uma idéia, não consigo mais comer carne pura, como um bife por exemplo, pois o gosto me é revoltante. Nesse caso, preciso do auxilio de molhos bem ricos, para camuflar o gosto da carne. Isso também vale para carne de peixe e frango, que, hoje em dia, tem que estar confinada a tortas e guisados. 

Se um dia eu não acreditei em desejo de mulher grávida, hoje eu acredito. Só que estes tais desejos são mais uma necessidade fisiológica do que qualquer coisa: é a luta pela sobrevivência! Depois de dois meses sem comer direito - nos quais eu inclusive perdi peso por um tempo -, um belo dia encarei a minha frustração com a seguinte pergunta: o que eu desejo comer? E depois de uma confabulação entre paladar, esôfago e estômago, chegamos à conclusão de que o que eu queria mesmo era pizza e sorvete. Fomos lá, eu e o Chris, fazer supermecado às 23hrs... - Agora, você deve estar imaginando aquela pizza, maravilhosa, forno à lenha, bibibi bobobó. Não, não... Para o meu próprio terror, a minha boca estava para a pizza mais barata, vendida na loja mais barata, dessas que imitam Pizza Hut, mas só que um pouco pior. Felizmente meus desejos tem sido deste nível, e não aquelas bizarrices de mascar esponjas, saborear terra, deglutir pasta de dentes, giz, cal, sabão, gelo, que se lê por aí. 

Felizmente, existe o tomate para me consolar - o único alimento que o meu organismo não cansegue rejeitar. E, é com uma alegria imensa, que, hoje, eu olho para a lata de pomarola e sei que, no fundo no fundo, eu ainda existo!

Um comentário:

  1. Amiga, essa é mais uma amostra de que não estará mais no controle de tudo. Não ter o controle pode ser angustiante ou super divertido se soubermos relaxar e achar graça desse novo momento. Só lembre de uma coisa: esses bichinhos sugam tudo da gente! Tenho histórias de amigas que até quebraram os dentes na gravidez por falta de cálcio e outros elementos que nos nutrem. Eles sugam tudo e mais um pouco. Eu enjoei muito, mas me alimentei muito bem. Mesmo assim tive que apelar pra injeção de B12 em um certo momento. Saúde e divirta-se! Bjin

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