sábado, 20 de agosto de 2011

São gêmeos? 

"Poxa Vida" e "Pois É" eram os nomes fictícios que eu e o Chris tínhamos reservado para os gêmeos. Confesso que o desejo de ter gêmeos provinha de uma mistura de ansiedade, preguiça e preocupação: ansiedade, para ter a família completa o mais rápido possível; preguiça, por ter que esperar mais dois anos para começar tudo outra vez; e preocupacão, pois quanto mais o tempo passa, maiores são os riscos numa gravidez. Diziam que eu era louca por querer gêmeos, que o trabalho dobrado seria inimaginavelmente cansativo. Mas, o fato é que, dureza por dureza, um bebê, sozinho, já é o suficiente para mudar por completo a rotina e estrutura emocional de um casal. Por que não dois? - "Deus, por favor, fecha a conta e passa a régua?"

Modelo de um feto na 12º semana - by Donna Lee
Recentemente passamos pelo nosso primeiro ultrasson. Foi realmente o dia mais feliz da minha vida. Quando, de imediato, vi aquele bebezinho deitado dentro do meu útero, senti um frio na barriga. Foi algo hipnotizante; uma mistura de alegria, surpresa, amor, estranhamento, ansiedade...  E ao mesmo tempo que a gente se entrega àquele momento, (constatando o óbvio - "estou realmente grávida!"), o médico começa a identificar os órgãos do bebê, medindo cada parte, e a procurando sinais que possam conduzir a algum possível problema no desenvolvimento do feto. Querendo ou não, a tensão é inevitável. Entre uma medida e outra, o bebê esticava as perninhas, levantava os braços, abria os dedinhos, dava chutes no ar, como se estivesse fazendo gols de bicicleta, ou dançando um rock progressivo. Inacreditável. Até aquele momento, eu nunca havia imaginado que pudesse haver tanta atividade dentro do meu útero. E, quando menos esperávamos, o bebê virava de costas e se encolhia todo, ficando bem quietinho. Parecia um jogo. Levamos uma hora inteira para conseguir verificar tudo o que precisávamos. Algo indescritívelmente emocionante. 

Depois de tudo - inclusive de ouvir o coraçãozinho disparado do nosso filho! -,  a combinação de todos os exames determinou que o bebê está aparentemente perfeito. Sem fatalismos da nossa parte, nossas preocupações provinham de um vírus com qual eu tive contato entre a 5ª e 6ª semanas de gestação, que acarretou em severas reações alérgicas no meu organismo - algo que pertence ao passado agora.

"Pois é" ou "Poxa Vida"? Façam suas apostas.
Hoje, quando eu deito relaxada na minha cama, sei que é apenas um, o hóspede abrigado no meu baixo-ventre. O sonho de ter gêmeos, parece que nunca existiu, pois só tenho pensamentos para aquela criaturinha que eu vi na tela do ultrasson. Fico imaginando ela dando saltos-mortais dentro do líquido semiótico, lembrando dos bracinhos esticados, dos dedinhos abertos, e imagino que meu filho está acenando para mim. 



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Finalmente - (12 semanas)

Pois é, se dependesse da hora certa, a gente não engravidaria nunca! 

Minhas amigas todas estão nos trinta (ou quase lá) e muitas delas sentem que falta um bom chão até chegar a hora certa de ter um filho. Para algumas, é a questão financeira, para outras, a falta de estabilidade no relacionamento ou na carreira as impede de dar esse grande passo. Seja o que for, é de se compreender, pois um filho faz mudar por completo o sentido da nossa vida.

Minha vida já mudou. Por fora, não se vê grande coisa, mas por dentro, desde o primeiro instante, desde a concepção do bebê, a metamorfose começa. E à medida que os nossos hormônios vão tomando conta, e o nosso corpo vai correspondendo a eles, a cabeça começa a mudar também. É algo indescritível, um presente divido, eu diria. Contudo, apesar de toda a magnitude desse momento, essas mudanças também vêm acompanhadas de muitos desconfortos, preocupações e incertezas. Começa aí a vida da mãe.

Desde os meus 27 anos, sinto um desejo latente de ter filhos. Por muitas razões isso só veio a contecer agora, aos meus 33 anos - confirmação de que a vida nem sempre segue o curso que se espera... E hoje eu lembro de quando eu era uma adolescente e dizia: aos 22 anos vou casar, e aos 24 começar a ter filhos. Santa inocência... Casei aos 26, me separei aos 30. Para isso, eu não estava preparada. E o destino me levou por tantas veredas, e, por terra, caíram tantos dos meus sonhos infantis. Mas Graças a Deus, com a experiência, ganhamos também maturidade, e, com os pés bem fincados no chão, vivo e luto por cada instante de plenitude, com uma ferocidade de leão.


 Sonhar ainda é possível, mas com os olhos bem fixos no presente, que nos revela mistérios e milagres a cada dia.