Pois É (6 meses - ou 24 semanas)
O próprio nome já se impunha, e subliminarmente nos avisava. Falhei em confiar nos meus primeiros instintos... - para os que estão pegando o bonde andando,
PoisÉ era o nome fictício que eu e o Chris tínhamos selecionado no caso da barriga ser menino, e,
PoxaVida, no caso de ser menina. Depois do ultrasson da semana passada, foi dado o veredito: é
PoisÉ. A
PoxaVida, poxa vida, vai ter que ficar para a próxima rodada - como o próprio nome já propunha.
Desde adolescente meus sonhos de maternidade eram geralmente com meninos; sempre senti que seria mãe de um. Quando fiquei grávida, minha primeira impressão continuava a mesma, mas - nessas horas nunca se sabe, não é? - tentei não criar nenhuma expectativa. E assim passei os dois primeiros meses, me vigiando para não tomar nenhum partido. Contudo, diante de dois outros sobrinhos, o desejo de ter uma menina começou a se manifestar fortemente em toda a minha família. Avós, tios e primos começaram a cultivar uma certeza quase que premonitiva a respeito do sexo do bebê, e com o tempo, passei eu também a imaginar como seria criar uma menininha, namorando roupinhas com lacinhos, sainhas, rendinhas, e indignada com a quantidade de cor-de-rosa disponível no mercado.
Mas o ultrasson foi nítido: era menino. A médica fez o maior suspense, e só depois de todas as medidas tiradas, que ela veio perguntar com um entusiasmo quase óbvio:
"Você consegue ver o sexo do bebê? Esse é fácil de determinar." Mas na minha viagem psicológica, eu não conseguia ver absolutamente nada. Eu olhava e olhava para o monitor do ultrasson como quem olha para uma obra de arte abstrata. Tentava achar as perninhas, mas como o bebê tinha mudado completamente de posição durante o curso do exame, eu estava ainda mais confusa, sem saber o que estava vendo de fato. Só depois de um longo silêncio, e da confirmação da minha ignorância, é que, com o dedo indicador, a doutora se pronuciou de forma didática, esboçando sobre as imagens do monitor, o pênis e os testículos do meu filho.
Foi uma alegria enorme e, ao mesmo tempo, um alívio descobrir o sexo do bebê. Contudo algo dentro de mim, algo que havia sido cultivado durante meses, e inclusive verbalizado entre tantas pessoas, sentiu-se traído. Levei uma semana para começar a re-processar o fato de que estou à espera de um filho homem. Dei-me conta disso apenas ontem, quando, sem querer, me peguei pesquisando na internet os procedimentos para furar a orelha de um bebê. No meio da pesquisa é que percebi a minha loucura, e compreendi o verdadeiro impacto da notícia. Sozinha em minha casa, falei em voz alta: "Mas o que eu estou fazendo? Você não tem mais que se preocupar com isso, Mariana, seu filho é homem. HO-MEM!" E encerrei o assunto dando dois tapinhas na minha própria cara, um em cada bochecha, como quem diz: "Acorda pra vida!"
Agora me sinto mais conectada com a realidade dos fatos. Cresci com dois irmãos e sempre gostei de estar ao redor de homens, e com isso em mente, comecei a imaginar a criação de um menino. Vai ser muito bom ser a rainha da casa por mais algum tempo. O
PoisÉ está mudando de nome agora, apesar de que, oficialmente, só saberemos mesmo ao olhar para a carinha dele.